Passageiros reclamam do novo consórcio que opera transporte coletivo na Capital

Passageiros reclamam do novo consórcio que opera transporte coletivo na Capital

Publicada originalmente em 24/08/2016

Texto por.:
Vinicius Canova / Rondônia Dinâmica
Informações e fotos.: Gregory Rodriguez

Porto Velho, RO – O principal mote de campanha da atual gestão nas últimas eleições foi a quebra do denominado monopólio na exploração dos serviços de transporte público em Porto Velho. Árdua luta fora travada às raias do Judiciário para que as empresas Três Marias e Rio Madeira fossem destituídas da função. Na prática, houve a troca de seis por meia dúzia, uma vez que outras duas empresas substituíram a dupla anterior, mas com aquele quê glamoroso trazido pela característica consorciada.

São elas: Ideal Locadora, gerenciada por Adélio Barofaldi, que opera em Porto Velho, e a Amazonas Transportes, com sede em Macapá, AP.

Até aí as exigência do povo porto-velhense foram atendidas. Há muito a sociedade clamava por uma renovação no setor, com empreendimentos responsáveis promovendo transporte público de qualidade. Desde janeiro deste ano o SIM passou a transportar os cidadãos da cidade que abriga as Três Marias cobrindo as mais variadas rotas.


Ônibus circula por Porto Velho / Foto: Gregory Rodriguez (Rondônia Dinâmica)

No site oficial do consórcio contratado emergencialmente pela Prefeitura de Porto Velho é possível observar, especialmente na seção ‘Quem Somos’, promessas das mais variadas com direito a números e tudo o mais.


Seção "Quem Somos" do site oficial do consórcio SIM / Imagem: Divulgação

“O Consórcio formado, após a fase de implantação prevê em seu projeto a circulação de cento e sessenta veículos e vinte veículos de reserva. Serão oferecidos serviços diferenciados para horários de pico e portadores de necessidades especiais. O sistema de bilhetagem, venda de créditos e identificação dos usuários será novo e moderno. O objetivo principal é atender aos passageiros de ônibus de Porto Velho com qualidade e pontualidade”, diz trecho do texto postado na página, que pode ser lido clicando aqui.

Rondônia Dinâmica foi às ruas saber diretamente dos usuários se a qualidade exaltada pelo consórcio e pela própria prefeitura passou a existir em seus cotidianos.

Vanessa Diniz, estudante, moradora do bairro Tancredo Neves,  trabalha no Centro da Capital e está insatisfeita com a nova frota.

“Eu gasto em média de 40 a 50 minutos para chegar ao meu serviço. O ônibus atrasa demais. Às vezes chego atrasada no trabalho e na faculdade. O transporte está uma porcaria por conta do atraso e pelo descaso [do poder público]. Além de atrasar ainda há o perigo de ficar esse tempo todo esperando o transporte público. É muita insegurança”, opinou.


Demora dos ônibus aflige estudantes / Foto: Gregory Rodriguez (Rondônia Dinâmica)

Apesar de sofrer com o atraso e a demora no deslocamento em seu itinerário, dona Antônia Bittencourt, que reside no Bairro Areia Branca, tem opinião diferente de Vanessa. Ela demonstrou satisfação com os novos ônibus, mas enfatizou problemas com lotação.

“Levo uma hora para chegar ao serviço. Depende do tempo. Às vezes eles demoram a chegar na parada, de vinte minutos a meia hora. O serviço está bom, mas andamos mais em pé. Em horários de pico está mais ou menos, falta cadeira para sentar”, asseverou.


Transporte público ainda é chaga para porto-velhense / Foto: Gregory Rodriguez (Rondônia Dinâmica)

Aline Souza, do Bairro Caladinho, Zona Sul, espera o ônibus de 45 minutos à uma hora. Ela disse que os serviços melhoraram “mais ou menos” porque os veículos continuam demorando a circular.

 Já o autônomo José Antônio Cabral está incomodado com outros fatores.

“Os ônibus não têm ar-condicionado. Morremos de calor encostados uns nos outros. Não importa para onde vamos, somos obrigados a passar por isso da pior maneira possível. Não há respeito. Não mudou nada. Em alguns quesitos, até piorou”, reclamou.


Adélio Barofaldi não quis falar sobre reclamações dos usuários / Foto: Divulgação

A versão do SIM

A redação entrou em contato com Adélio Barofaldi a fim de ouvir seu posicionamento acerca das dificuldades enfrentadas pelos passageiros. Entretanto, o empresário não quis se pronunciar, dizendo ser “apenas investidor” e indicando outros nomes que pudessem ser ouvidos sobre o tema.

Apesar de destacar seu desconhecimento a respeito de minúcias de sua própria frota e seus respectivos serviços, o empreendedor já concedeu longa entrevista filmada e publicada pelo  site de notícias “Verdade Rondônia” esbanjando todo seu esclarecimento sobre operações e apontando novos horizontes traçados pelo consórcio.

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Márcio Barnabé, do Marketing do SIM, respondeu por Barofaldi / Foto: Divulgação

Márcio Barnabé, do setor de Marketing do SIM, escolhido a dedo pelo gerente da Ideal para responder em nome do consórcio, disse que houve melhorias desde o início das operações em janeiro e que virão ainda mais.

Sobre a frota

“São 180 ônibus. Vinte deles ficam na reserva em caso de avaria ou qualquer situação de necessidade. Mas cento e sessenta estão rodando de segunda a sexta-feira”, apontou.

Redução de circulação em alguns bairros

Barnabé informou que a explicação para redução da circulação do transporte coletivo em alguns bairros da Capital está no contrato celebrado com a Prefeitura de Porto Velho.

“Há previsão contratual pactuada com a prefeitura já que, como há fluxo menor de pessoas durante finais de semana, período de recesso escolar e feriados, está devidamente justificada”, salientou.

Melhor que antes; automóveis mais novos do Brasil

Questionado se enxerga melhorias nos serviços prestados pelo SIM em relação às duas empresas que exerciam a mesma função antigamente, o marqueteiro foi objetivo:

“Houve melhorias sim em relação às antigas empresas que operavam em Porto Velho. Estamos trabalhando para que melhore ainda mais. É a frota mais jovem de veículos da federação, com apenas cinco anos de uso”.

Ausência de ar-condicionado

Márcio Barnabé responsabilizou a Prefeitura de Porto Velho pela ausência de ar-condicionado na frota operada pelo SIM.

“Um projeto fora apresentado à Administração Pública Municipal para circulação de ônibus executivos com ar-condicionado e também os articulados, mas acabou rechaçado pela prefeitura. Por isso não há”, concluiu.

Autor / Fonte: Vinicius Canova / Rondoniadinamica

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