O rei está morto e agora nós dançamos nas ruas... Dançamos? Não!



Porto Velho, RO –
Defender a democracia é um troço difícil, confesso. Porque, convenhamos, pouquíssimas pessoas reúnem condições e equilíbrio para respeitar o resultado das urnas. Hoje não existe a figura do bom perdedor. E percebo que essa falta de maturidade tem muito a ver com a insurgência seletiva apresentada no atual contexto político brasileiro e seus resultados práticos.

Pois bem...

Estava trabalhando ontem quando, de supetão, recebi mais uma notícia com o condão de abalar a República, ora em chamas escaldantes. O rei caiu, está morto. E com ele, de quebra, o bobo da corte, cuja cabeça pode ser considerada decepada desde já.

A renúncia está descartada, claro. Ah, meus amigos... Será que vocês não conhecem malandro engravatado?

Há algo de diferente no mordomo de Béla Lugosi: sem a vergonha de tomar o poder de forma indecente depois de usufruir de todas as benesses possíveis concedidas tanto por sua antecessora quanto pelo partido dela, o peemedebista sem votos e totalmente desarmado de respaldo popular acredita piamente ter para onde correr. Não tem!

Reformas? Esqueçam...

O governo, que já era ilegítimo por motivos escrachados, agora é ilegítimo e corrupto, adepto do banditismo e capitaneado por um criminoso que, não fosse adjetivação ruim suficiente, ainda é burro. A explicação é simples: Temer, ao autorizar o mensalão para silenciar Cunha já na condição de presidente, imaginou que os amiguinhos da JBS seguissem o mesmo código de ética do mundo do crime. Enfim, o apocalipse está decretado e só resta saber quanto sangue Michel tem a sangrar.

Rei morto, rei posto!


Golaçoooooo!!! Ah, não... Pera aí, estava impedido! / Imagem.: Reprodução (Veja)

A culpa não é minha: eu votei no Aécio

Quando as pessoas que odeiam o PT perceberam a derrota nas urnas, ainda que numa disputa acirrada, começaram a jorrar as frases de efeito. Criaram até camisetas, como aquela icônica com os escritos: “A culpa não é minha: eu votei no Aécio”.

Ronaldo Fenômeno, o grande jogador de futebol, a usava com orgulho e desfilava por aí ostentando o prazer de ter apoiado o amigo. O neto de Tancredo, considerado um gênio da política pela retórica apurada, comprovou que eloquência no discurso não tem liame algum com honestidade, ética e moral. Era fácil se refestelar nos debates sabendo que a ex-presidente Dilma Rousseff não nutria as mesmas condições discursivas.

Foi brincadeira de criança para Aécio posar de bom moço, arauto da moralidade e exemplo de sapiência político-administrativa. O bobo da corte também foi pro saco e parou de fazer piadas. Ser gravado pedindo R$ 2 milhões pra JBS é papelão maior do que os encontrados na carne da Friboi.


Ibama não permitiu que pato fosse às ruas protestar contra Temer e Aécio; os muares também estão de fora
Foto.: Divulgação

Sem panelas, nada de passeatas e zero revolta: até o pato da Fiesp sumiu...

Tirando alguns militantes e adeptos do ideário esquerdista, a quinta-feira (18) segue como se nada estivesse acontecendo. Panelaços durante o Jornal Nacional de ontem? Não. Mas até entendo o motivo do silêncio: nem todo mundo tem condições financeiras para recuperar tão rápido um jogo de panelas. Já colocaram o pato da Fiesp na Paulista? Os manifestantes já estão postados em seus lugares com camisetas da seleção brasileira? Não? Nada?

Então tá...

Somos todos contra a corrupção, claro, mas dependende do perpetrador.

Autor / Fonte: Vinicius Canova

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