A República em chamas e o alvo da revolta é... O Professor Nazareno

A República em chamas e o alvo da revolta é... O Professor Nazareno

Porto Velho, RO – Quem me conhece sabe o apreço que tenho por opiniões distintas a se contrapor em mesas democráticas de debate. A meu ver, a única maneira de edificar o ser humano é fomentando a veia respeitosa de embates. Utopia, eu sei. Principalmente agora num momento em que as pessoas falam de política e sociedade como se estivessem vestindo camisetas de clube de futebol.

Martin Luther King Jr., peço licença, mas devo parafraseá-lo (e traduzi-lo):

– Eu tenho um sonho!

Gostaria de um dia presenciar os cidadãos contestando tudo, absolutamente. E falo tanto pessoalmente, através da retórica; quanto textualmente, em artigos publicados via imprensa ou mesmo em declarações postadas nas redes sociais neste universo liberal e anárquico chamado Internet. Essa rebeldia – sadia e salutar – serviria do ideário nacional de combate à corrupção à construção cívica de uma população mais ativa, participativa e menos resignada.

Por isso bato na tecla do relativismo moral de acordo com a conveniência e, consequentemente, na seletividade absorvida pelos cidadãos que vivem a proliferar um patriotismo de veneta, destilado mais para fazer “H” com os amiguinhos de Facebook do que para alcançar quaisquer outros intentos verdadeiramente louváveis.

Isso acontece aqui em Rondônia e um exemplo claro são as reações aos textos publicados pelo Professor Nazareno.  Este, nas horas vagas, costuma publicar visões polêmicas recheadas de subtexto – aí está o erro e já explico por que – e também ironias, sátiras e deboches. Aos desavisados, os artigos podem soar ofensivos; já leitores mais ávidos, compreendem e absorvem a mensagem.

Os revoltados não têm consciência de que o autor do escárnio é um docente franciscano à moda antiga: anda, dentro e fora do horário de expediente, de chinelos de dedo e com uma camiseta surrada, geralmente do João Bento da Costa, colégio onde ensina redação à molecada para que possa ir sem medo encarar o amedrontador ENEM. É o primeiro a divulgar os bons resultados com orgulho, levando consigo a satisfação no olhar de quem colaborou com o verdadeiro alicerce do progresso humanitário: a educação.

Nazareno tem noção da publicidade negativa angariada sobre si, forjando, cada dia mais, uma condição de figura detestável, quase folclórica – mais para o tenebroso Mapinguari do que para o afável Saci-Pererê. Mas mesmo assim continua a escrever e divulgar seus escritos porque, diferentemente do que penso, acredita que os receptadores reúnam condições de, quem sabe um dia, interpretá-lo corretamente.

Eu duvido que isso ocorra. Contemporaneamente, se é quase impossível fazer com que a maioria entenda algo literal, às vezes até mesmo ilustrado com figurinhas e legendas, quiçá brincar com mensagens subliminares escondidas às entrelinhas textuais. É pedir demais, professor. Um passo de cada vez!  

A República está em chamas e o momento é, sem sombra de dúvidas, propício ao povo. É hora de demonstrar com veemência toda a indignação, repúdio ao balcão de negócios que se tornou o Congresso Nacional e o Palácio da Alvorada com essa relação pornográfica entre políticos e empreiteiros.

Claro, o País pode esperar. Quando você terminar de xingar o assalariado que lhe ofendeu por dizer que Porto Velho é uma cidade feia, há uma fila de bandidos do colarinho branco esperando manifestação no mínimo semelhante.

Não tenho procuração para advogar em prol do Nazareno, com quem estive pouquíssimas vezes, embora tenha todo o meu respeito como costumo entregar a qualquer pessoa que ouse peitar o senso comum. Inclusive, talvez ele fique com raiva por eu estar desmistificando tudo aquilo que construiu como anti-herói (ou vilão mesmo, sem dó!)...

Desconheço outros aspectos de sua vida, mas num deles eu posso opinar: tenho certeza de que ele fez muito mais por Rondônia aguçando o senso crítico ajudando os filhos de muita gente a escrever do que muitos de seus detratores, principalmente os xenófobos enrustidos.

Autor / Fonte: Vinicius Canova

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